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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Análise de um estranho Deus






Deus é estranho!...de repente, resolve sem mais nem menos, transformar alguem em uma borboleta, uma maçã aromática, um grão de areia, um perfume de rosas, um sapinho, uma pérola, um golfinho, uma gota de uma cachoeira, um gesto de amor, uma cereja, uma palavra, um pensamento, um som, um urso polar, um ponei, ou um pequeno bezerro, uma larva de mosca, um cometa, ou meteoro....mas caramba!...nem nos consulta antes...Deus é estranho mesmo!!!

                                                                      24/05/2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Primeiro dia de Outono







Riscos na parede emergem
De uma dimensão oposta, na TV ligada
Uma sonata ao amor, frágeis sentimentos
Eclodem em minha alma, padeço.
Inúmeros sons se misturam, sombras  - Silêncio.
Em alguma manhã de outono, uma criança
Ao nascer, sonha com o passado distante
E balbucia sons, não consigo compreender.
Miséria nas ruas, um véu na noite – Uma noiva
De preto, de luto, rosa, cetim.
Dedos fazem sinais no ar, suavemente,
Latidos de um cão na noite, vozes.
Sinto minha alma nua, pálida – Gélida
Que se esvai,como gotas de orvalho
Quando caem suavemente das flores.
E o tempo escoa, lentamente, lentamente.....
                 
                                                     21/05/2012

domingo, 20 de maio de 2012

Escadas mortas




Nas madrugadas frias --  Óvulos
Que se escondem e se quebram
Como pontas de lápis afinadas.
Velhos sonetos repetidos,
Sorrisos à beira de uma loucura
Um grito de alerta! Não parem
Copos, cópulas, sangue
Vermes , pares dançantes.
Você se foi e é  só o que restou...
Quadros nas paredes, velhos filmes,
Na soleira da porta teu pisar marcado
Para todo o sempre.
                                             20/05/12
                                

domingo, 29 de abril de 2012

In Memorian


Em toda parte que eu olhar
Verei você , serei você.
Em todas as ruas, em todas esquinas,
Você estará me olhando.
Nas escadas rolantes e nas noites
Nos dias de chuva, ou no silencio de meu quarto
Verei você, serei você.
Em meus sonhos, ou meus delírios,
Em minha loucura , em minha tristeza
Em toda parte que eu olhar,
Tudo o que eu fizer lembrará você
Sim, em toda a parte
Até quando eu me for...
                                                                                           29.04.2012
                                                                                                         

                                     Ao meu querido Pixú. 
                              +25.07.2011 *29.04.1989                                                                                                                        


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Os caramujos










Os caramujos passeiam pelo jardim
Agora são pisoteados por pés inescrupulosos,
A grama é alta, tiro o chapéu – você é tão linda!
Preciso recuperar a minha fé,
Mesmo que seja em duendes ou ovelhas
Que se perdem nas montanhas, adoro teu sorriso...
Lembra-se de como eu costumava te olhar?
Pelas frestas, muros de arrimo, pelas noites de luar.
Por que se foi sem me desejar boa sorte?
Neste mundo ríspido, banal, tenho um rifle
Preparado para definir entre o sim e o não .
Tenho a nítida impressão que ainda pensas em mim,
E meu desespero toma formas mais suaves...
Imagino-lhe deitada na grama alta – Olhos fechados,
Enquanto os caramujos passeiam tranqüilamente
Sobre teu corpo semi despido – Eles sabem
Que serão pisoteados

                                                         Abril.2012

sábado, 17 de março de 2012

Raízes

 






Lágrimas caem, a dor!
Vultos trafegam, não posso vê-los,
Dedos frágeis, silêncio.  – por quê?
Seguir, não há tempo para querer,
Cortaram as raízes, sobraram pontos
Que se dissolvem lentamente.
Os pássaros dormem agora - Sonho
Abraço-te forte, Noite fria.
                                          In Memorian  - Pixú - 1989 - 2011        
                                                      Março.2012

sexta-feira, 2 de março de 2012

Desintegração












Os poros fecham-se – há poeira no ar
Uma sensação de paz acompanha o instante,
Derradeiro sonho, janelas fechadas.
Negra fonte de luz,   - Espasmos –
Reis e rainhas caminham de mãos dadas,
Existe uma toca no caminho, raposas
Dormem o sono eterno, existem
Fetos, feridas a cicatrizar, lembranças...
Em um momento único abre-se
O manto da morte.

                              Março 2012