musica

domingo, 22 de julho de 2012

Babushka










O dia vai amanhecer, não preciso de outro dia
Nada mais  há que me impeça de voar, ou sonhar

Lamentos por toda  parte, leilão de angústias
Não me façam parir o que trago dentro de mim

Violetas suaves, borbulhas que vem do céu, tua voz
Me embriaga, lá se vão os fantasmas de meu medo

Não sei que dia é hoje, tanto faz, pode ser domingo...
O ouro que  carrego está em meu coração

Amanhã será lua nova, um caminhão passa, vazio
Não sei se tem alguém ao volante –  Fantasmas

No jardim de meus anseios, passeiam víboras
Às vezes soltas, outras vezes enlatadas

Tua voz, vem soando baixo, muito baixo,
Mas posso ouvir bem o que sempre quis dizer

Não há lugar para escapes, um velho pneu roda
Neste asfalto quente, mas é simples loucura

Deixo que anjos investiguem a causa, caudas azuis
Queixos finos, semblantes nostálgicos, são anjos

Preciso tentar adormecer, e ver o que encontro
Dentro de meu imaginário, é sempre você, amarela

Rompendo os muros, trocando tudo por dinheiro,
A víbora desce pelas entranhas da mulher

O mesmo semblante, pacífico, cruel, tuas jóias
São compradas no mercado negro – Tua alma

Um coração dispara, alarmes soam acima do rio
Que deixa suas águas livres, vejo o mar

O dia amanhece, já não sei se o sol vai aparecer
Nada mais há  que me impeça de voar, ou sonhar.
                                                    Para Sylvia Plath
                                                   Julho/2012 - 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fragmentos








Sons abafados emergem
Vindo de grutas fantasmas   – Ruídos
Misturam-se, ondas sonoras adentram
Meu cérebro, pequeno, incapaz que é
De decifrar o que dizem as criaturas,
De outras esferas, ou de meu próprio subterrâneo.
Ainda há esperança, um pássaro plaina
Restos de tinta umedecem o papel  – Silêncio
Umectante, às vezes alcalino, talvez a paz.
Bonecos infláveis flutuam, flácidos, vazios,
Por entre águas mornas, estagnadas  – A própria vida.
Ruídos emergem das grutas negras do hemisfério norte,
Chocam-se com memórias passadas, quebra-se o elo,
Uma cor branco acinzentada paira, uma janela
Fechada, posso sentir o perfume que ainda paira.
Vez ou outra, os mesmos sons voltam,
Como fantasmas bailando a dança final.
                                                                   julho/2012