musica

domingo, 3 de junho de 2012

Dentro dos sonhos




Em seu caminho passam
Nuvens, vultos, raízes e flores
Em seu caminho, cruzam
Carros, crianças, palhaços e fantasmas.
Em seu caminho, o tempo não é
Nem nunca será... Apenas um caminho,
Por onde cruzam carros, crianças,
Palhaços, fantasmas e anjos do além.
Em seu caminho se ouve
Adágios, andantes, Haydn ou Chopin,
Em seu caminho o Sol ainda não nasceu,
Nem existirá qualquer explosão.
Tudo é silencio, paz... e passam,
Nuvens, vultos, raízes e flores,
Ouve-se Suítes, Sonatas, Prelúdios,
Mendelssohn, Liszt, Debussy.
Em seu caminho, guerra e paz
São apenas palavras, sílabas, vogais,
E Deus é a memória por nascer.
Em seu caminho, lágrimas são
Pedacinhos de astros estelares,
E a saudade, um bálsamo, cujo perfume
Perde-se na memória dos tempos...
                                                           Junho/2012

A Cobra, o Galo e a Montanha




Há muito tempo vivia em um Pais distante, uma cobra, que vivia triste, pois queria muito chegar ao topo de uma alta montanha; Passava os dias  a se lamentar, se lamentava tanto que seus parentes mais próximos a abandonaram, e seus amigos se foram.
Em uma casa nos arredores de onde vivia a cobra, morava um galo, que nas manhãs primaveris, quando despontavam os primeiros raios de sol bem longe, cantava, cantava e cantava, tão feliz que era por existir e por poder apreciar a bela montanha bem ao fundo, onde se iniciava o céu  e onde ele imaginava ser a morada dos Deuses.
Certa manhã, quando o senhor galo ensaiava as primeiras notas em uma escala “eólia”, percebeu que alguém soluçava baixinho bem perto dali; Deu alguns passos, atravessou um belo pomar, carregado de maçãs vermelhas, que brilhavam radiantes de felicidade, desceu uma pequena rampa, atravessou um extenso gramado que circundava o lago de águas claras e onde ele todos os dias ia beber daquela água saborosa e refrescar suas penas.
Encontrou então a senhora cobra, cabeça baixa e um olhar triste e banhado de lágrimas; Perguntou então o senhor galo – O que se passa amiga cobra?-
Ao que a mesma respondeu  – Senhor galo, saiba ilustre colega,  que fui abandonada por meus familiares e meus amigos próximos, dentre os quais, três sapinhos, uma coruja, quatro minhocas e um velho tatu.  – Porque lhe abandonaram, se mal lhe pergunto? indagou o galo. – Bem, respondeu a cobra – Se cansaram de minhas lamentações diárias, pois vivia a me queixar por não poder na montanha chegar .
O galo baixou a cabeça, deu duas ou três ciscadas no chão, sacudiu as penas brancas e lustrosas, aproximou-se mais da cobra e assim falou: – Temos que agradecer por aquilo que a natureza  nos dá; – Olhe ao seu redor, estas flores lindas, sinta este perfume! As  águas mansas do lago, árvores frutíferas neste pomar... –  não vês quanta beleza existe em tudo que nos rodeia, amiga? – Ademais, acho que se chegasse lá no topo da montanha, até ficaria decepcionada! – Você acha? - perguntou repentinamente a cobra. – Claro , colega! De lá veria a paisagem cá embaixo e sentiria saudades, Não terias o calor que tens aqui ,nem uma boa água para se banhar, nem tampouco  abundância de alimento,  além de ter que se esconder das águias que por lá habitam.
 – Tens razão, meu bom amigo galo, fizeste-me ver coisas que eu não via. – Oh! Como fui tola e insensata! Vou já voltar para casa e contar as boas novas para todos que fugiram de mim. – Me dê um abraço amigão! – foi logo dizendo então a cobra. Mas o galo como era esperto, recuou e acenando para a cobra, despediu-se neste tom: – Não precisas me agradecer cara colega, e agora me desculpe, pois tenho que ir rapidamente para casa, pois meus sobrinhos me esperam.  E foi subindo o gramado, cantando, cantando, feliz.
..E lá no alto, bem longe, a montanha que a tudo ouvia, permaneceu  em seu silêncio letárgico.
                                                                  Março.2011
 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Análise de um estranho Deus






Deus é estranho!...de repente, resolve sem mais nem menos, transformar alguem em uma borboleta, uma maçã aromática, um grão de areia, um perfume de rosas, um sapinho, uma pérola, um golfinho, uma gota de uma cachoeira, um gesto de amor, uma cereja, uma palavra, um pensamento, um som, um urso polar, um ponei, ou um pequeno bezerro, uma larva de mosca, um cometa, ou meteoro....mas caramba!...nem nos consulta antes...Deus é estranho mesmo!!!

                                                                      24/05/2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Primeiro dia de Outono







Riscos na parede emergem
De uma dimensão oposta, na TV ligada
Uma sonata ao amor, frágeis sentimentos
Eclodem em minha alma, padeço.
Inúmeros sons se misturam, sombras  - Silêncio.
Em alguma manhã de outono, uma criança
Ao nascer, sonha com o passado distante
E balbucia sons, não consigo compreender.
Miséria nas ruas, um véu na noite – Uma noiva
De preto, de luto, rosa, cetim.
Dedos fazem sinais no ar, suavemente,
Latidos de um cão na noite, vozes.
Sinto minha alma nua, pálida – Gélida
Que se esvai,como gotas de orvalho
Quando caem suavemente das flores.
E o tempo escoa, lentamente, lentamente.....
                 
                                                     21/05/2012

domingo, 20 de maio de 2012

Escadas mortas




Nas madrugadas frias --  Óvulos
Que se escondem e se quebram
Como pontas de lápis afinadas.
Velhos sonetos repetidos,
Sorrisos à beira de uma loucura
Um grito de alerta! Não parem
Copos, cópulas, sangue
Vermes , pares dançantes.
Você se foi e é  só o que restou...
Quadros nas paredes, velhos filmes,
Na soleira da porta teu pisar marcado
Para todo o sempre.
                                             20/05/12
                                

domingo, 29 de abril de 2012

In Memorian


Em toda parte que eu olhar
Verei você , serei você.
Em todas as ruas, em todas esquinas,
Você estará me olhando.
Nas escadas rolantes e nas noites
Nos dias de chuva, ou no silencio de meu quarto
Verei você, serei você.
Em meus sonhos, ou meus delírios,
Em minha loucura , em minha tristeza
Em toda parte que eu olhar,
Tudo o que eu fizer lembrará você
Sim, em toda a parte
Até quando eu me for...
                                                                                           29.04.2012
                                                                                                         

                                     Ao meu querido Pixú. 
                              +25.07.2011 *29.04.1989                                                                                                                        


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Os caramujos










Os caramujos passeiam pelo jardim
Agora são pisoteados por pés inescrupulosos,
A grama é alta, tiro o chapéu – você é tão linda!
Preciso recuperar a minha fé,
Mesmo que seja em duendes ou ovelhas
Que se perdem nas montanhas, adoro teu sorriso...
Lembra-se de como eu costumava te olhar?
Pelas frestas, muros de arrimo, pelas noites de luar.
Por que se foi sem me desejar boa sorte?
Neste mundo ríspido, banal, tenho um rifle
Preparado para definir entre o sim e o não .
Tenho a nítida impressão que ainda pensas em mim,
E meu desespero toma formas mais suaves...
Imagino-lhe deitada na grama alta – Olhos fechados,
Enquanto os caramujos passeiam tranqüilamente
Sobre teu corpo semi despido – Eles sabem
Que serão pisoteados

                                                         Abril.2012