musica

quinta-feira, 13 de março de 2014

Morte & Cia












Sonhos, feridas, balas
Buscas, feras, caras

Planos, plenos, risos
Respostas imediatas

Palavras ásperas, vazias
Ecoam na outra sala

Tambores murmuram
Lá onde eu irei morrer

Acabaram as horas
Içaram as velas

E um velho navio pirata
Singra em  mares de sangue
                                                Março/2014

domingo, 9 de março de 2014

Bustos



Tudo passa rápido demais
Imagens, desejos, olhares
Vozes, beijos, cores, raios
Vida e morte de mãos dadas.

Quando você me sorrir
Com o mesmo sorriso de antes
Pode ser que meus olhos cegos
Já não vejam teu semblante

Restam lágrimas, saudades, lutos
Choros, velas, bustos.
Uma estrela paira no céu
De um azul pálido, mortal.

Preciso encontrá-los – Vozes
Escadas vazias, o vento
Sopra e leva minha alma
Para além dos montes.
                                        Março/2014

quarta-feira, 5 de março de 2014

Amores guardados









Quando você me sorrir
Já será tarde, pode ser
Que eu me guarde, ou
Deixe ir o amor para sempre. 

Quando você me disser
Que talvez eu tivesse razão
Ou que agora poderíamos tentar
Talvez eu morra de antemão.

Todos se foram, rápidos
Nem ao menos deixaram rastros
Não consigo vê-los nunca mais
Talvez apenas reter as imagens.

Um vento morno sopra – Outono
Permaneço mudo, impotente
São imagens, vultos, sonhos
Que me dizem inverdades.
                                                       Março/2014


Encontros









Te vi sentada
Nos degraus disformes
Um sorriso melancólico
E um rosto triste, febril 

Te encontrei em um sonho
De mãos atadas,
Os poucos raios de sol
Fugiam pelas frestas abertas.

Algumas crianças brincavam
Nas alamedas perdidas – Soluços
Vinham do sótão vazio
Abaixo dos degraus  – A sombra.

Te vi sentada, só, sonhando
Os mesmos sonhos que morreram
Em minha alma Pensei
Ter lhe abraçado então...

                          Março/2014

sábado, 28 de dezembro de 2013

A Décima Hora






Podeis me ver deste lado do mundo?
Balanço minhas mãos e braços
As águas são escuras, lamacentas
Peixinhos devoram palavras e desovam

Meus trajes estão desbotados, Uivos
Não se parecem com cães, talvez raposas
Lamentos, talvez não sejam meus
Você diz que ervas daninhas crescem

Um sol disforme aquece os grãos
Que irão germinar, são apenas embriões
É tudo tão insensato, diria mesmo insano
Teus pecados afloram como flores mortas

Basta-me um instante, dormirei apenas
E minhas lembranças viajarão , rápidas
Precisas como agulhas de uma bússola
Será que o que ouço são vozes ou espantos?

Não consigo respirar, o ar é pesado
Tudo o que resta agora são fardos 
Dispostos em linha sobre jaulas
Onde dormitam velhos leões preguiçosos.

                                                                        Dez.2013


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Bocas e Panelas






Deixa estar, ainda haverá um lugar
Um juntar de bocas e panelas,haverá...
Deixa-me tentar, acho que ainda sei dizer
Palavras belas, e miro teus olhos.
Mesmo quando não consigo dormir,
Ou quando ando descalço pela casa, és tu
Que me vem à mente como flashes, flechas
Que incendeiam meu coração, deixa estar..
Ainda haverá um dia em um mês — talvez Maio
Deixe-me seguir teus passos, acender a luz
Afagar teu pranto, me encorajar, diluir
Meus pensamentos aos teus, te cuidar, deixa estar..
Ainda que o tempo passe rápido e me leve,
Ainda que eu não tenha coragem de viver
Nem mesmo para lhe dizer qualquer coisa,
Um dia, nas estrelas, haverá um lugar
Um juntar de bocas e panelas, haverá...
                                                                        Dez.2013

Circos e Vulcões





Enquanto eu tento compreender
O incompreensível, tudo passa
O vento, as falas, o circo e  outro amanhã.
Se ao menos ela me ouvisse  —  mas quem?
Sempre os mesmos passos, que me levam
Ao eterno vazio — Tanto faz, tudo me cansa
A beleza do luar, ou as ondas do mar,
As pessoas enlouquecidas, buscando,buscando
Coisas que jamais serão alcançadas.
Tanta dor neste mundo prenhe,
Tenho saudades dos vulcões e de florestas,
Faz tanto frio, as crianças dormem
E sonham com reinos encantados e fadas,
Meu estado letárgico me cansa tanto,
O Universo nem participa deste desencanto,
Isto é apenas meu, sou apenas Eu.
afinal, o que mais haveria....
                                                          Dez.2013