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quarta-feira, 5 de março de 2014

Encontros









Te vi sentada
Nos degraus disformes
Um sorriso melancólico
E um rosto triste, febril 

Te encontrei em um sonho
De mãos atadas,
Os poucos raios de sol
Fugiam pelas frestas abertas.

Algumas crianças brincavam
Nas alamedas perdidas – Soluços
Vinham do sótão vazio
Abaixo dos degraus  – A sombra.

Te vi sentada, só, sonhando
Os mesmos sonhos que morreram
Em minha alma Pensei
Ter lhe abraçado então...

                          Março/2014

sábado, 28 de dezembro de 2013

A Décima Hora






Podeis me ver deste lado do mundo?
Balanço minhas mãos e braços
As águas são escuras, lamacentas
Peixinhos devoram palavras e desovam

Meus trajes estão desbotados, Uivos
Não se parecem com cães, talvez raposas
Lamentos, talvez não sejam meus
Você diz que ervas daninhas crescem

Um sol disforme aquece os grãos
Que irão germinar, são apenas embriões
É tudo tão insensato, diria mesmo insano
Teus pecados afloram como flores mortas

Basta-me um instante, dormirei apenas
E minhas lembranças viajarão , rápidas
Precisas como agulhas de uma bússola
Será que o que ouço são vozes ou espantos?

Não consigo respirar, o ar é pesado
Tudo o que resta agora são fardos 
Dispostos em linha sobre jaulas
Onde dormitam velhos leões preguiçosos.

                                                                        Dez.2013


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Bocas e Panelas






Deixa estar, ainda haverá um lugar
Um juntar de bocas e panelas,haverá...
Deixa-me tentar, acho que ainda sei dizer
Palavras belas, e miro teus olhos.
Mesmo quando não consigo dormir,
Ou quando ando descalço pela casa, és tu
Que me vem à mente como flashes, flechas
Que incendeiam meu coração, deixa estar..
Ainda haverá um dia em um mês — talvez Maio
Deixe-me seguir teus passos, acender a luz
Afagar teu pranto, me encorajar, diluir
Meus pensamentos aos teus, te cuidar, deixa estar..
Ainda que o tempo passe rápido e me leve,
Ainda que eu não tenha coragem de viver
Nem mesmo para lhe dizer qualquer coisa,
Um dia, nas estrelas, haverá um lugar
Um juntar de bocas e panelas, haverá...
                                                                        Dez.2013

Circos e Vulcões





Enquanto eu tento compreender
O incompreensível, tudo passa
O vento, as falas, o circo e  outro amanhã.
Se ao menos ela me ouvisse  —  mas quem?
Sempre os mesmos passos, que me levam
Ao eterno vazio — Tanto faz, tudo me cansa
A beleza do luar, ou as ondas do mar,
As pessoas enlouquecidas, buscando,buscando
Coisas que jamais serão alcançadas.
Tanta dor neste mundo prenhe,
Tenho saudades dos vulcões e de florestas,
Faz tanto frio, as crianças dormem
E sonham com reinos encantados e fadas,
Meu estado letárgico me cansa tanto,
O Universo nem participa deste desencanto,
Isto é apenas meu, sou apenas Eu.
afinal, o que mais haveria....
                                                          Dez.2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O bode Islamita



Viveu nos confins do mundo em uma época remota, um  bode – muito provavelmente um dos   primeiros , que queria muito deixar o cavanhaque para então  conhecer as terras santas onde Jesus havia nascido; todos os dias, olhava no espelho e ia acompanhando os pelinhos que apareciam no queixo. Logo em seguida  rezava o pai nosso e beijava a imagem de Cristo.
E assim foi durante meses e meses seguidos, mas nada de o cavanhaque aparecer e nada de conhecer a terra santa também; Então o bode cujo nome era Espaldonio, cansado de tanto esperar desistiu do cavanhaque e mudou de religião, adquiriu o Alcorão e virou o primeiro bode Islamita de que se tem conhecimento na história.
Diz a lenda que foi assassinado quando dava seus bodejos no muro das lamentações.
Desde então todos os bodes já nascem com barbicha!!

                                                                           Dez.2013

domingo, 1 de setembro de 2013

Reencontro



Mar tranqüilo, sereno,
Alguns anjos, em silencio
Emanavam vibrações
Aos que ficaram na terra.

Uma luz violeta, suave
Pairava no ar, etéreo,
Dando boas vindas
Aos que haviam partido.

Alguém chorava, no momento
Em que uma mão invisível
Tocava seus  ombros cansados.
Um ritual de amor e perdão.

Mar tranqüilo,  sereno,
Sempre na mesma direção.
Um som vibrava, fraco
Ecoando por todo o vale.

As mãos gélidas, imóveis
Cujo sangue, congelara,
Abraçavam o peito frio, nu.
Um acorde de despedida.

Era principio de outono
Meigo, triste, vazio.
Crianças brindavam o dia,
Como sendo o último.

                                                         Jan.2013

Fragmentos 5







Rios, cascatas, horizontes
Se foram para sempre, sempre.
Não basta reter o momento,
Quando só restam pequenos fragmentos.

A memória busca a chama
Que se acendeu noutro dia – A terra
Gira enfim, são só sinais,
Geometria, de vida e morte.

Frágeis são estas mãos,
Vento frio, manhã qualquer,
Estória de um conto de fadas
Onde o Rei nunca virá.

                                                  Fev.2013