musica

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Circos e Vulcões





Enquanto eu tento compreender
O incompreensível, tudo passa
O vento, as falas, o circo e  outro amanhã.
Se ao menos ela me ouvisse  —  mas quem?
Sempre os mesmos passos, que me levam
Ao eterno vazio — Tanto faz, tudo me cansa
A beleza do luar, ou as ondas do mar,
As pessoas enlouquecidas, buscando,buscando
Coisas que jamais serão alcançadas.
Tanta dor neste mundo prenhe,
Tenho saudades dos vulcões e de florestas,
Faz tanto frio, as crianças dormem
E sonham com reinos encantados e fadas,
Meu estado letárgico me cansa tanto,
O Universo nem participa deste desencanto,
Isto é apenas meu, sou apenas Eu.
afinal, o que mais haveria....
                                                          Dez.2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O bode Islamita



Viveu nos confins do mundo em uma época remota, um  bode – muito provavelmente um dos   primeiros , que queria muito deixar o cavanhaque para então  conhecer as terras santas onde Jesus havia nascido; todos os dias, olhava no espelho e ia acompanhando os pelinhos que apareciam no queixo. Logo em seguida  rezava o pai nosso e beijava a imagem de Cristo.
E assim foi durante meses e meses seguidos, mas nada de o cavanhaque aparecer e nada de conhecer a terra santa também; Então o bode cujo nome era Espaldonio, cansado de tanto esperar desistiu do cavanhaque e mudou de religião, adquiriu o Alcorão e virou o primeiro bode Islamita de que se tem conhecimento na história.
Diz a lenda que foi assassinado quando dava seus bodejos no muro das lamentações.
Desde então todos os bodes já nascem com barbicha!!

                                                                           Dez.2013

domingo, 1 de setembro de 2013

Reencontro



Mar tranqüilo, sereno,
Alguns anjos, em silencio
Emanavam vibrações
Aos que ficaram na terra.

Uma luz violeta, suave
Pairava no ar, etéreo,
Dando boas vindas
Aos que haviam partido.

Alguém chorava, no momento
Em que uma mão invisível
Tocava seus  ombros cansados.
Um ritual de amor e perdão.

Mar tranqüilo,  sereno,
Sempre na mesma direção.
Um som vibrava, fraco
Ecoando por todo o vale.

As mãos gélidas, imóveis
Cujo sangue, congelara,
Abraçavam o peito frio, nu.
Um acorde de despedida.

Era principio de outono
Meigo, triste, vazio.
Crianças brindavam o dia,
Como sendo o último.

                                                         Jan.2013

Fragmentos 5







Rios, cascatas, horizontes
Se foram para sempre, sempre.
Não basta reter o momento,
Quando só restam pequenos fragmentos.

A memória busca a chama
Que se acendeu noutro dia – A terra
Gira enfim, são só sinais,
Geometria, de vida e morte.

Frágeis são estas mãos,
Vento frio, manhã qualquer,
Estória de um conto de fadas
Onde o Rei nunca virá.

                                                  Fev.2013

sábado, 31 de agosto de 2013

Trevos




O meu amor transformou-se
Em cobras, florestas escuras
Nada nunca esteve bem –  Eu até pensei
Em lagostas, moinhos de trigo.

Eu até pensei que poderia
Caminhar como um fantasma,
Mas fantasmas somem de vista,
Enlouquecem-me.

Uma lua aparece no céu,
Tenho medo de luas, do pó
Receio nunca compreender
A vida e a morte.

A paz, será que a vi um dia?
Por onde andam as fadas
Que visitaram minha infância?
O que fizeram com o Rei?

Não me peça uma segunda chance,
A linha que nos separa é tênue
Mas não podemos ver – Escurece.
Um calor paira sobre a terra.

Sinto o frio dos fantasmas
Que rondam meus sonhos,
Meus olhos choram –  Gotas
De escárnio e solidão.

                                              Jan.2013

Linhas Paralelas



Linhas paralelas entre eu e você
Tortas, inexatas – cansei-me de tudo e do todo
De vossas teorias e de vossos acordes piedosos.
Atrás do armário escondem-se crianças mudas,
Sorrisos amarelados, há um bule no fogão
Uma foto de Cristo desnudo e incapaz,
Apenas átomos que passeiam pelo espaço louco.
Da janela, penso ver elefantes que passam
Entre fileiras de abutres que dissecam o corpo,
Nu – Cristo em toda a sua glória perdida
Desenhando em um papel  seus temores.
Tudo é estranho, tudo cheira a enxofre e morte,
Todos estão tranqüilos, festejando a noite         
Ratos, formigas, fetos esbranquiçados  , uma garrafa
E restos de um outro dia , esquecidos no tempo.

                                                                Agosto/2012

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Neon



Raios, Luzes, Neon
Folha em branco, imagem
Sonhos, mariposas mortas.

O sol se foi
Para sempre, sempre.
Mesa vazia  – Velas.

Naves voam, o céu se fecha
Gotas de sangue
Em forma de lágrimas.

Segue o Rei
Riacho abaixo, canta
O canto do esquecimento.

Mãos se tocam,
Juntas tecem a sinfonia
Do eterno adeus.
                                            Jan.2013