musica

sábado, 4 de agosto de 2012

Damas Brancas



Você prometeu que voltaria
E daria a volta por cima,
Mas por enquanto a terra gira
Tão rápida, só e vazia.
A dor nos olhos das pessoas,
Me faz sonhar com dias melhores
Mas sonhos são apenas chamas
De um fogo em extinção.
A tarde é calma — teus olhos voltam
E  já não podem ver, são as damas brancas
que sempre voltam, me espreitam.
Posso vê-las agora, muito  tarde para temer.
As palavras perdem-se no tempo e voam
Rosas amarelas à beira da estrada,
Uma febre me assola, cães abandonados
Farejam os rastros , e voam, voam
Rumo ao espaço, devoram-me, é inútil.
Há um caminho apenas, sob frondosas árvores,
E em seus galhos fortes, apenas forcas.
                                                                   Agosto 2012

domingo, 22 de julho de 2012

Babushka










O dia vai amanhecer, não preciso de outro dia
Nada mais  há que me impeça de voar, ou sonhar

Lamentos por toda  parte, leilão de angústias
Não me façam parir o que trago dentro de mim

Violetas suaves, borbulhas que vem do céu, tua voz
Me embriaga, lá se vão os fantasmas de meu medo

Não sei que dia é hoje, tanto faz, pode ser domingo...
O ouro que  carrego está em meu coração

Amanhã será lua nova, um caminhão passa, vazio
Não sei se tem alguém ao volante –  Fantasmas

No jardim de meus anseios, passeiam víboras
Às vezes soltas, outras vezes enlatadas

Tua voz, vem soando baixo, muito baixo,
Mas posso ouvir bem o que sempre quis dizer

Não há lugar para escapes, um velho pneu roda
Neste asfalto quente, mas é simples loucura

Deixo que anjos investiguem a causa, caudas azuis
Queixos finos, semblantes nostálgicos, são anjos

Preciso tentar adormecer, e ver o que encontro
Dentro de meu imaginário, é sempre você, amarela

Rompendo os muros, trocando tudo por dinheiro,
A víbora desce pelas entranhas da mulher

O mesmo semblante, pacífico, cruel, tuas jóias
São compradas no mercado negro – Tua alma

Um coração dispara, alarmes soam acima do rio
Que deixa suas águas livres, vejo o mar

O dia amanhece, já não sei se o sol vai aparecer
Nada mais há  que me impeça de voar, ou sonhar.
                                                    Para Sylvia Plath
                                                   Julho/2012 - 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fragmentos








Sons abafados emergem
Vindo de grutas fantasmas   – Ruídos
Misturam-se, ondas sonoras adentram
Meu cérebro, pequeno, incapaz que é
De decifrar o que dizem as criaturas,
De outras esferas, ou de meu próprio subterrâneo.
Ainda há esperança, um pássaro plaina
Restos de tinta umedecem o papel  – Silêncio
Umectante, às vezes alcalino, talvez a paz.
Bonecos infláveis flutuam, flácidos, vazios,
Por entre águas mornas, estagnadas  – A própria vida.
Ruídos emergem das grutas negras do hemisfério norte,
Chocam-se com memórias passadas, quebra-se o elo,
Uma cor branco acinzentada paira, uma janela
Fechada, posso sentir o perfume que ainda paira.
Vez ou outra, os mesmos sons voltam,
Como fantasmas bailando a dança final.
                                                                   julho/2012
                                                            

domingo, 3 de junho de 2012

Dentro dos sonhos




Em seu caminho passam
Nuvens, vultos, raízes e flores
Em seu caminho, cruzam
Carros, crianças, palhaços e fantasmas.
Em seu caminho, o tempo não é
Nem nunca será... Apenas um caminho,
Por onde cruzam carros, crianças,
Palhaços, fantasmas e anjos do além.
Em seu caminho se ouve
Adágios, andantes, Haydn ou Chopin,
Em seu caminho o Sol ainda não nasceu,
Nem existirá qualquer explosão.
Tudo é silencio, paz... e passam,
Nuvens, vultos, raízes e flores,
Ouve-se Suítes, Sonatas, Prelúdios,
Mendelssohn, Liszt, Debussy.
Em seu caminho, guerra e paz
São apenas palavras, sílabas, vogais,
E Deus é a memória por nascer.
Em seu caminho, lágrimas são
Pedacinhos de astros estelares,
E a saudade, um bálsamo, cujo perfume
Perde-se na memória dos tempos...
                                                           Junho/2012

A Cobra, o Galo e a Montanha




Há muito tempo vivia em um Pais distante, uma cobra, que vivia triste, pois queria muito chegar ao topo de uma alta montanha; Passava os dias  a se lamentar, se lamentava tanto que seus parentes mais próximos a abandonaram, e seus amigos se foram.
Em uma casa nos arredores de onde vivia a cobra, morava um galo, que nas manhãs primaveris, quando despontavam os primeiros raios de sol bem longe, cantava, cantava e cantava, tão feliz que era por existir e por poder apreciar a bela montanha bem ao fundo, onde se iniciava o céu  e onde ele imaginava ser a morada dos Deuses.
Certa manhã, quando o senhor galo ensaiava as primeiras notas em uma escala “eólia”, percebeu que alguém soluçava baixinho bem perto dali; Deu alguns passos, atravessou um belo pomar, carregado de maçãs vermelhas, que brilhavam radiantes de felicidade, desceu uma pequena rampa, atravessou um extenso gramado que circundava o lago de águas claras e onde ele todos os dias ia beber daquela água saborosa e refrescar suas penas.
Encontrou então a senhora cobra, cabeça baixa e um olhar triste e banhado de lágrimas; Perguntou então o senhor galo – O que se passa amiga cobra?-
Ao que a mesma respondeu  Senhor galo, saiba ilustre colega,  que fui abandonada por meus familiares e meus amigos próximos, dentre os quais, três sapinhos, uma coruja, quatro minhocas e um velho tatu.  – Porque lhe abandonaram, se mal lhe pergunto? indagou o galo. – Bem, respondeu a cobra Se cansaram de minhas lamentações diárias, pois vivia a me queixar por não poder na montanha chegar .
O galo baixou a cabeça, deu duas ou três ciscadas no chão, sacudiu as penas brancas e lustrosas, aproximou-se mais da cobra e assim falou: Temos que agradecer por aquilo que a natureza  nos dá; Olhe ao seu redor, estas flores lindas, sinta este perfume! As  águas mansas do lago, árvores frutíferas neste pomar...   não vês quanta beleza existe em tudo que nos rodeia, amiga? – Ademais, acho que se chegasse lá no topo da montanha, até ficaria decepcionada! – Você acha? - perguntou repentinamente a cobra. – Claro , colega! De lá veria a paisagem cá embaixo e sentiria saudades, Não terias o calor que tens aqui ,nem uma boa água para se banhar, nem tampouco  abundância de alimento,  além de ter que se esconder das águias que por lá habitam.
 – Tens razão, meu bom amigo galo, fizeste-me ver coisas que eu não via. – Oh! Como fui tola e insensata! Vou já voltar para casa e contar as boas novas para todos que fugiram de mim. – Me dê um abraço amigão! – foi logo dizendo então a cobra. Mas o galo como era esperto, recuou e acenando para a cobra, despediu-se neste tom: Não precisas me agradecer cara colega, e agora me desculpe, pois tenho que ir rapidamente para casa, pois meus sobrinhos me esperam.  E foi subindo o gramado, cantando, cantando, feliz.
..E lá no alto, bem longe, a montanha que a tudo ouvia, permaneceu  em seu silêncio letárgico.
                                                                  Março.2011
 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Análise de um estranho Deus






Deus é estranho!...de repente, resolve sem mais nem menos, transformar alguem em uma borboleta, uma maçã aromática, um grão de areia, um perfume de rosas, um sapinho, uma pérola, um golfinho, uma gota de uma cachoeira, um gesto de amor, uma cereja, uma palavra, um pensamento, um som, um urso polar, um ponei, ou um pequeno bezerro, uma larva de mosca, um cometa, ou meteoro....mas caramba!...nem nos consulta antes...Deus é estranho mesmo!!!

                                                                      24/05/2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Primeiro dia de Outono







Riscos na parede emergem
De uma dimensão oposta, na TV ligada
Uma sonata ao amor, frágeis sentimentos
Eclodem em minha alma, padeço.
Inúmeros sons se misturam, sombras  - Silêncio.
Em alguma manhã de outono, uma criança
Ao nascer, sonha com o passado distante
E balbucia sons, não consigo compreender.
Miséria nas ruas, um véu na noite – Uma noiva
De preto, de luto, rosa, cetim.
Dedos fazem sinais no ar, suavemente,
Latidos de um cão na noite, vozes.
Sinto minha alma nua, pálida – Gélida
Que se esvai,como gotas de orvalho
Quando caem suavemente das flores.
E o tempo escoa, lentamente, lentamente.....
                 
                                                     21/05/2012